DOIS PARADOXOS NA MORTE DE CRISTO
Como deveríamos esperar, o maior acontecimento na História do mundo é
complexo. Visto que Jesus é homem e Deus, em uma única pessoa, a morte
de Jesus foi a morte de Deus? Para responder a esta pergunta, temos de
falar sobre as duas naturezas de Cristo - a divina e a humana. Desde o ano
451 d. C., a definição do Concílio de Calcedônia a respeito das duas
naturezas de Cristo em uma pessoa tem sido aceita
como o ensino ortodoxo das Escrituras. O Concílio de Calcedônia disse:
Nós, então... ensinamos os homens a confessarem... o único e o mesmo
Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que deve ser reconhecido em duas
naturezas, inconfundível, imutável, indivisível, inseparável. A distinção
entre as duas naturezas não é, de modo
algum, removida pela união; pelo contrário, a propriedade de cada natureza
é preservada e coincidente com uma única Pessoa e uma única Subsistência,
não partida nem dividida em duas pessoas, mas um único e o mesmo Filho,
o unigênito, Deus, a Palavra, o Senhor Jesus Cristo.
A natureza divina é imortal (Romanos 1:23; 1 Timóteo 1:17). Não pode
morrer. Isso faz parte do que significa ser Deus. Portanto, quando Cristo
morreu, sua natureza humana que sofreu a morte. O mistério da união
entre a natureza divina e a humana, naquela experiência de morte, não é
revelado para nós. O que sabemos é que Cristo
morreu e naquele mesmo dia foi ao Paraíso ("Hoje estarás comigo no
paraíso" - Lucas 23:43). Portanto, parece ter havido conscientização na
morte, de modo que a união entre a natureza humana e a divina não
precisasse ser interrompida, embora Cristo tenha morrido somente em
sua natureza terrena.
Outro exemplo da complexidade da morte de Cristo é como Deus Pai a
experimentou. O ensino mais comum dos evangélicos é que a morte de
Cristo é a experiência, por parte de Cristo, da maldição do Pai. "Cristo nos
resgatou da maldição da lei, fazendo-se
ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele
que for pendurado em madeiro)" (Gálatas 3:13). Que maldição? Alguém
poderia abrandar isso, dizendo: "A maldição da lei". Mas a lei não é uma
pessoa, que pode amaldiçoar a outrem. Uma maldição é uma maldição
quando há alguém que amaldiçoa. Aquele que amaldiçoa por meio da lei é
Deus, que a escreveu. Por conseguinte, a morte de Cristo
por nosso pecado e por nossa transgressão da lei foi a experiência da
maldição do Pai.
Essa foi a razão por que Jesus disse: "Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste? " (Mateus 27:46). Na morte de Cristo, Deus lançou sobre
Ele os pecados de seu povo
(Isaías 53:6), os pecados que Ele odiava. E, sentindo ódio pelo pecado, Deus se
afastou de seu Filho carregado de pecados, entregando-O a sofrer toda a força
da morte e da maldição. A ira do Pai foi derramada sobre o Filho, e não sobre
nós, para que a ira de Deus para conosco fosse propiciada (Romanos 3:25) e
removida.
Mas eis o paradoxo. Deus aprovou profunda e alegremente o que o Filho estava
fazendo naquela hora de sacrifício. De fato, Deus a havia planejado juntamente
com o Filho. E o amor de Deus para com o Deus-Homem, Jesus Cristo, na terra
se devia à própria obediência que levou Jesus Cristo à cruz. A cruz foi o ato que
coroou a obediência e o amor de Cristo. E o Pai aprovou e se alegrou
profundamente com esta obediência e amor. Por isso, Paulo disse estas palavras
admiráveis: "Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e
sacrifício a Deus, em aroma suave"
(Efésios 5:2). A morte de Jesus foi uma fragrância para Deus.
Assim, existe ainda mais uma gloriosa complexidade. A morte de Cristo foi a
maldição de Deus e a ira de Deus; porém, ao mesmo tempo, foi agradável a
Deus e um aroma suave. Enquanto Deus se afastava de seu Filho e O entregava
à morte, levando sobre Si o nosso pecado, Deus se deleitava na obediência, no
amor e na perfeição do Filho.
Portanto, permaneçamos em temor e contemplemos com tremor e alegria a
morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Não existe acontecimento mais
importante na História . Não existe coisa mais grandiosa para que a nossa mente
pondere e nosso coração admire. Permaneça neste acontecimento. Tudo que é
importante e bom se une aqui.
É um lugar de sabedoria, felicidade e relevância; é aqui que devemos permanecer.
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